Marcadores sociais da diferença, interseccionalidade e a necessária articulação com formação de professories que ensinam matemática

Autores

  • Hygor Batista Guse
  • Agnaldo da Conceição Esquincalha
  • Glauber Carvalho da Silva

Resumo

Neste artigo, a partir do reconhecimento de que devemos compreender os processos de desigualdade como únicos, e considerando os diferentes marcadores sociais que constituem cada pessoa, trabalhamos a perspectiva de fomentar que as pessoas se encontrem com suas próprias diferenças, principalmente no que diz respeito a uma formação de professories que ensinam Matemática estruturada sob essa perspectiva. Para isso, utilizamos a interseccionalidade como categoria analítica, uma vez que entendemos que tal conceito é de extrema importância para o auto(re)conhecimento e a autoaceitação. Inicialmente, propomos marcadores sociais associados a gêneros e sexualidades como lentes para análise, considerando a emergência dessa temática para o campo da Educação Matemática. Em sequência, ampliamos esse olhar trazendo uma perspectiva interseccional e denunciando a ausência desse debate nas pesquisas do campo, assim como em formações de professories que ensinam Matemática. Finalizamos com algumas inquietações e movimentações necessárias para que seja possível pensarmos em uma (Educação) Matemática e espaços de formação que considerem as (r)existências de cada pessoa em sua totalidade e reconheçam os diferentes marcadores sociais da diferença que, por muitas vezes, estão associados à exclusão, intolerância ou invisibilização das pessoas em espaços nos quais a Matemática se faz presente.

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Publicado

30-12-2023

Como Citar

BATISTA GUSE, H. .; DA CONCEIÇÃO ESQUINCALHA, A.; CARVALHO DA SILVA, G. Marcadores sociais da diferença, interseccionalidade e a necessária articulação com formação de professories que ensinam matemática. Boletim GEPEM, [S. l.], n. 83, p. 265–286, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufrrj.br/index.php/gepem/article/view/857. Acesso em: 1 mar. 2024.