“A Matemática não é neutra, é masculina”: percepções de licenciandas em Matemática sobre gênero

Autores

Palavras-chave:

Matemática, Gênero, Análise de Discurso, Educação Matemática, Mito da Neutralidade

Resumo

Nos últimos anos, discussões envolvendo gênero e a matemática escolar vêm ganhando espaço, ainda que lentamente, na Educação Matemática. Com o desejo de contribuir para o fortalecimento dessas discussões, o presente artigo tem por objetivo analisar como um grupo de discentes de Matemática compreende a experiência de ser mulher neste curso. Para a constituição do corpus de análise foi realizado um grupo focal com quatro mulheres discentes de Matemática de uma Instituição de Ensino Superior Pública (IESP) da região Sul do Brasil. A partir das informações produzidas no grupo focal, a Análise de Discurso com base em Eni P. Orlandi foi acionada, utilizando-se de deslizamentos e não-ditos para explorar os sentidos que as discentes atribuem às suas experiências. Como resultado, obtivemos os sentidos de vínculo entre opressão de gênero e graduação em Matemática; de ocultamento da opressão para sobrevivência; e de neutralidade Matemática associada ao homem. A partir de tais sentidos, foi construído o enunciado: a Matemática é uma área socialmente construída como neutra, exata, rígida e masculina.

Referências

ALMEIDA, Dione Alves de; ALMEIDA, Shirley Patrícia Nogueira de Castro e; AMORIM, Mônica Maria Teixeira. Gênero, Discurso e Docência em Matemática no Ensino Superior: Um olhar para o Norte de Minas Gerais. Bolema, v. 36, n.73, p.923-943, Rio Claro - SP, 2022.

ALMEIDA, Dione Alves de; ALMEIDA, Shirley Patrícia Nogueira de Castro e; AMORIM, Mônica Maria Teixeira. Perfil das Licenciandas em Matemática: uma Análise a Partir dos Dados do ENADE (2005-2017). SciELO Preprints, 2021.

BUTLER, Judith. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

______. Corpos que importam: os limites discursivos do “sexo”. 1 ed. São Paulo: n-1 edições; Crocodilo edições, 2019a.

______. Problemas de gênero: feminismos e subversão da identidade. 17 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019b.

ESQUINCALHA, Agnaldo da Conceição (Org.). Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática: tensionamentos e possibilidades. Brasília, DF: SBEM Nacional, 2022.

FERNANDES, Filipe Santos. Pelas bruxas de Agnesi no currículo: educabilidades de uma matemática no feminino. In: PARAÍSO, Marlucy Alves e CALDEIRA, Maria Carolina da Silva. Pesquisas sobre currículos, gêneros e sexualidades. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2018.

FERNANDEZ, Cecília. As meninas ainda são minoria nos cursos de graduação em matemática, física, computação e estatística. Mulheres na Matemática (UFF). Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: http://mulheresnamatematica.sites.uff.br/wp-content/uploads/sites/237/2018/03/meninas_minoria_matematica_areas_afins.pdf. Acesso em: 23/08/2023.

GATTI, Bernardete Angelina. Grupo Focal na Pesquisa em Ciências Sociais e Humanas. Brasília, DF: Líber Livro, 2005.

GONÇALVES, Harryson Júnio Lessa (Org.). Educação Matemática & Diversidade(s). Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2020.

MENDES, Luísa Cardoso; REIS, Washington Santos dos; ESQUINCALHA, Agnaldo da Conceição. Por que algumas pessoas se incomodam com a pesquisa sobre gêneros e sexualidades em educação matemática? In: ESQUINCALHA, Agnaldo da Conceição. Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação matemática: tensionamentos e possibilidades. Brasília, DF: SBEM Nacional, 2022.

NETO, Vanessa Franco; BORGES, Luiza Batista; OLIVEIRA, Thays Alves de. O que as Matemáticas têm a ver com as questões de gênero? Indagando estudantes sobre o tema. In: ESQUINCALHA, Agnaldo da Conceição. Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação matemática: tensionamentos e possibilidades. Brasília, DF: SBEM Nacional, 2022.

OBSERVATÓRIO FIESC. Mulheres representam apenas 24,7% dos empregados no setor STEM. Observatório FIESC. Santa Catarina, 2021. Disponível em: https://observatorio.fiesc.com.br/publicacoes/mulheres-representam-apenas-247-dos-empregados-no-setor-stem#:~:text=Apenas%203%25%20dos%20alunos%20que,de%20engenharia%2C%20manufatura%20e%20constru%C3%A7%C3%A3o. Acesso em: 23/08/2023.

OLIVEIRA, Megg Rayara Gomes de. O diabo em forma de gente: (r)existências de gays afeminados, viados e bichas pretas na educação. 2017. 192 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2017.

ORLANDI, Eni Puccinelli. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.

______. Discurso e Texto: formulação e circulação dos sentidos. Campinas, SP: Editora Pontes, 2001.

______. Discurso e Leitura. São Paulo: Cortez, 2012.

______. Análise de discurso: princípios & procedimentos. Campinas: Pontes, 2020.

SOUZA, Carla Araujo de; GONÇALVES, Harryson Júnio Lessa; PERALTA, Deise Aparecida. Entre-vista sobre gênero, sexualidade e Educação Matemática. In: ESQUINCALHA, Agnaldo da Conceição. Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação matemática: tensionamentos e possibilidades. Brasília, DF: SBEM Nacional, 2022.

SOUZA, Maria Celeste Reis Fernandes de; FONSECA, Maria da Conceição Ferreira Reis. Relações de gênero, Educação Matemática e discurso: enunciados sobre mulheres, homens e matemática. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.

SOUZA, Juliana Boanova; LOGUERCIO, Rochele de Quadros. Fome de quê? A [in]visibilidade de meninas e mulheres interditadas de atuarem na Educação das áreas Exatas. Ciência e Educação, Bauru - SP, 2021.

Downloads

Publicado

30-12-2023

Como Citar

CARTAXO LIMA, Y.; BAPTISTA FRAGOZO, M.; VIEIRA GODOY, E. “A Matemática não é neutra, é masculina”: percepções de licenciandas em Matemática sobre gênero. Boletim GEPEM, [S. l.], n. 83, p. 138–154, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufrrj.br/index.php/gepem/article/view/834. Acesso em: 1 mar. 2024.