“Por que que tem que ser um garoto que adora brincar com os números?”: ponderações sobre práticas sexistas em questões de Matemática do Enem

Autores

Palavras-chave:

Gênero, Educação Matemática, Sexismo, Formação Inicial de Professoras e Professores, Práticas Discursivas

Resumo

Este artigo, recorte de uma pesquisa de mestrado finalizada, insere-se no contexto das investigações no campo da Educação Matemática comprometidas não só com a reflexão sobre a relação entre gênero e Matemática na formação inicial de professoras e professores mas também com o enfrentamento de desigualdades. Assim, o objetivo do artigo é investigar apropriações discursivas de licenciandos no entremeio de discussões que envolvem gênero e Matemática. Para tanto, este estudo fundamenta-se em autoras e autores que elaboram ideias sobre gênero, sexismo e práticas discursivas. Assim, com vistas a atender o objetivo proposto, realizou-se uma investigação de natureza qualitativa na qual o material empírico foi produzido a partir da triangulação de informações decorrentes de um questionário inicial, de registros de dez encontros de um grupo focal e de entrevistas com os seis participantes. A partir da análise desse material, destaca-se que as licenciandas e o licenciando participantes não só reconheceram em algumas questões do Exame Nacional do Ensino Médio práticas sexistas – notadas em uma valorização do saber do homem e em uma invisibilidade do saber da mulher – como também evidenciaram incômodo com tal situação.

Referências

BASTOS, V. C. Gênero na Formação Inicial de docentes de Biologia: uma Unidade Didática como possível estratégia de sensibilização e incorporação da temática no currículo. 2013. 210 fls. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2013.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, Brasília, 1988. Disponível em: Acesso em: 24 ago. 2021.

BRASIL. Lei n.º 9394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm. Acesso em: 25 mai. 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CNE/CP nº. 1, de 18/02/2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Brasília: 2002. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rcp01_02.pdf. Acesso em: 25 mai. 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Parecer CNE/CES nº 1.302, de 06 de novembro de 2001. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Matemática, Bacharelado e Licenciatura. Brasília: 2002b. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES13022.pdf. Acesso em: 25 mai. 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CNE/CP nº. 2, de 19 de fevereiro de 2002. Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior. Brasília: 2002c. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CP022002.pdf. Acesso em: 25 mai. 2019.

BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003

CAVALARI, M. F. A Matemática é Feminina? Um Estudo Histórico da Presença da Mulher em Institutos de Pesquisa em Matemática do Estado de São Paulo' 01/03/2007 147 f. Mestrado em Educação Matemática Instituição de Ensino: Universidade Est.Paulista Júlio De Mesquita Filho/Rio Claro, Rio Claro Biblioteca Depositária: IGCE/UNESP/Rio Claro (SP)

COLLING, A. M. Gênero e História. Um diálogo possível?. Revista Contexto & Educação, v. 19, n. 71-72, p. 29-43, 2004.

CORREA, M. L. (2013). Uma intervenção pedagógica na educação básica com potencial de ampliar a visibilidade da produção científica feminina.'.

COSSI, R. K. Corpo em Obra: Contribuições para a Clínica Psicanalítica do Transexualismo. São Paulo: NVersos, 2011.

FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Tradução de Luiz Felipe Baeta Neves. – 8. ed. – Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2013

FREIRE, L. A. Desvendando desigualdades de oportunidades em matemática relacionadas ao gênero do aluno: modelagem multinível aplicada aos dados do SAEB 99. 2002. Tese de Doutorado. Dissertação de mestrado em Matemática. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro.

GARCIA, L. G. Matemática no Programa Mulheres Sim: Inclusão e Cidadania. 25/04/2017. Mestrado Profissional em Ensino de Ciências Naturais e Matemática Instituição de Ensino: Universidade Regional De Blumenau, Blumenau Biblioteca

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social / Antonio Carlos Gil. - 6. ed. - São Paulo : Atlas, 2008.

GUSE, H; WAISE, T; ESQUINCALHA, A. O que pensam licenciandos(as) em matemática sobre sua formação para lidar com a diversidade sexual e de gênero em sala de aula? Revista Baiana de Educação Matemática, v. 1, p. e202012, 2020. Disponível em: . Acesso em: 10 Sep. 2021

HEERDT, B. Saberes docentes: gênero, natureza da ciência e educação científica. 2014.

LOURO, G. L. Gênero, sexualidade e educação. Petrópolis: vozes, 1997.

LOURO, G. L. Teoria queer: uma política pós-identitária para a educação. Revista estudos feministas, v. 9, p. 541-553, 2001.

MACHADO, M. C. Gênero e desempenho em itens da prova de matemática do exame nacional do ensino médio (ENEM): relações com as atitudes e crenças de autoeficácia matemática' 01/10/2014 212 f. Doutorado em educação Instituição de Ensino: universidade estadual de campinas, Campinas Biblioteca Depositária: Biblioteca Central da Unicamp

MADUREIRA, A.F.A. (2000). A construção das identidades sexuais não-hegemônicas:

gênero, linguagem e constituição da subjetividade. Dissertação de Mestrado,

Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília, Brasília.

MADUREIRA, A. F. A. Gênero, sexualidade e diversidade na escola: a construção de uma cultura democrática. 2007.

MALTA, A. Games e gêmero: as contribuições de jogos eletrônicos na formação de pedagogos' 30/03/2016 124 f. Mestrado em educação matemática e tecnológica instituição de ensino: universidade federal de pernambuco, Recife Biblioteca Depositária: BIBLIOTECA CENTRAL DA UFPE

MINAYO, M. (org.). Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. 18 ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

MORGAN, D. L. (1996). Focus group. Annual Review Sociology, 22, 129-152.

NETO, V. Onde Aprendemos a Viver o Gênero?. HIPÁTIA-Revista Brasileira de História, Educação e Matemática, v. 6, n. 1, p. 51-62, 2021. Disponível em: https://ojs.ifsp.edu.br/index.php/hipatia/article/view/1567/1152

RABELO, J. O. C; A, M.C. L. A questão do método em Foucault e Butler: caminhos enredados. In: 18 REDOR. 2014.

REIS, T.; EGGERT, E. “Ideologia de gênero”: uma falácia construída sobre os planos de educação brasileiros. Educação e Sociedade, v. 38, n. 138, p. 9-26, jan. 2017. Disponível em: . Acesso em: 10 agosto. 2022

ROVAI, M. G. O.; MONTEIRO, L. N. (org.). Gênero, sexualidades e relações étnico-raciais: Um guia para o Ensino de História. Alfenas: Editora Universidade Federal de Alfenas, 2021. p. 113-114

RUBIO, P. P. Primavera das mulheres: 100 questões essenciais para entender o feminismo no mundo contemporâneo. Editora Cultrix, 2020.

SARDENBERG, C.M. B.. O gênero em questão: apontamentos. Salvador: NEIM/UFBA, v. 83, p. 3322.3222, 1992.

SARDENBERG, C. Considerações introdutórias às pedagogias feministas. Ensino e Gênero: perspectivas transversais. Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM): Salvador, p. 17-32, 2011.

SOUZA, L. G. R. Quem Calculava? Representações De Gênero Na Relação Mulher Matemática Na Obra O Homem Que Calculava De Malba Tahan. 12/08/2013. Mestrado em Ensino De Ciências E Educação Matemática Instituição de Ensino: Universidade Estadual De Londrina, Londrina Biblioteca Depositária: Biblioteca Digital da Universidade Estadual de Londrina

SOUZA, M. C. Gênero e matemática(s) - dos jogos de verdade nas práticas de numeramento de alunas e alunos da educação de pessoas jovens e adultas.' 01/08/2008 279 f. Doutorado em educação Instituição de Ensino: Universidade Federal De Minas Gerais, Belo Horizonte Biblioteca Depositária: Faculdade de Educação

SOUZA, M. C. R. F; FONSECA, M. C.. Relações de Gênero, Educação Matemática e discurso - enunciados sobre mulheres, homens e matemática. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010.

SOUZA, D; SILVA, M. Heteronormatividade demarcada por um currículo de matemática: uma linguagem para multiplicar sentidos. In: Anais 7º Seminário Brasileiro de Estudos Culturais e Educação. Disponível em:

http://www.2017.sbece.com.br/resources/anais/7/1494896149_ARQUIVO_5663598_Deise_Marcio.pdf. Acesso em: 7 de maio de 2023.

SCOTT, J. W. Gênero: Uma categoria útil de análise histórica (CR Dabat & MB Áv la, Trad). Rec fe: SOS Corpo, 1996

SCOTT, J. W. A invisibilidade da experiência. Projeto História: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, v. 16, 1998.

SMOLKA, A. L. B. O (im) próprio e o (im) pertinente na apropriação das práticas sociais. Cadernos Cedes, v. 20, p. 26-40, 2000

SKOVSMOSE, O. Interpretações de significado em educação matemática. Bolema: Boletim de Educação Matemática, v. 32, p. 764-780, 2018

TELLO, C. Las epistemologías de la política educativa: vigilancia y posicionamiento epistemológico del investigador en política educativa. Práxis Educativa (Brasil), vol. 7, p. 53-68, 2012. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/894/89423377004.pdf. Acesso em: 08 mai. 2023.

TRIVIÑOS, A. N. B. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.

Downloads

Publicado

30-12-2023

Como Citar

BORGES, L.; DEODATO, A. A. . “Por que que tem que ser um garoto que adora brincar com os números?”: ponderações sobre práticas sexistas em questões de Matemática do Enem. Boletim GEPEM, [S. l.], n. 83, p. 239–264, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufrrj.br/index.php/gepem/article/view/808. Acesso em: 1 mar. 2024.