Desafios e aprendizagens na mediação com chatbot ao inserir inteligência artificial na aula de Matemática

Autores

DOI:

https://doi.org/10.69906/GEPEM.2176-2988.2025.1277

Palavras-chave:

ensino de matemática, inteligência artificial generativa, narrativa científica

Resumo

O acelerado avanço das tecnologias de inteligências artificial, em especial dos chatbots, apresenta oportunidades e desafios para a educação. A escola pode promover o desenvolvimento de competências voltadas ao conhecimento e à compreensão da inteligência artificial. Neste contexto, este artigo tem como objetivo relatar e refletir sobre a aplicação dessa tecnologia no ensino de funções quadráticas no ensino médio. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter descritivo e interpretativo, que apresenta a experiência de uma docente, participante de um projeto de formação sobre o uso pedagógico da inteligência artificial. A professora desenvolveu e aplicou sequência didática sobre funções quadráticas em uma turma de 30 estudantes. A análise dos dados revelou que a utilização da inteligência artificial pode contribuir para o processo de ensino e aprendizagem, desde que se promova um olhar crítico dos estudantes sobre o uso dessa ferramenta, demonstrando que, embora os estudantes tenham familiaridade crescente com essas ferramentas, seu uso ainda é marcado por superficialidade, com pouca avaliação sobre a confiabilidade das respostas geradas ou os vieses nelas presentes. A pesquisa contribuiu para o aprimoramento do processo de ensino e aprendizagem, além de evidenciar a importância de promover o olhar reflexivo e o rigor crítico dos estudantes e do ponto de vista docente os dados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à formação de professores para atuarem como mediadores críticos dessas tecnologias. Conclui-se embora os avanços sejam visíveis, persistem desafios estruturais, como a utilização acrítica por parte dos estudantes além da carência de formações docentes específicas e para superá-los, é fundamental que a inteligencia artificial generativa seja compreendida não como solução técnica, mas como instrumento passível de adaptação às necessidades pedagógicas, a fim de estabelecer práticas dialógicas, reflexivas e críticas em sua implementação.

Biografia do Autor

Juliana Cândida Batista Gomes Coelho, Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

Mestra em Ensino e Processos Formativos pela Universidade Estadual Paulista (UNESP/IBILCE). Professora da Educação Básica II (PEB II) da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE/SP) em Araçatuba. 

Luciany Pamplona, Universidade Federal de Itajubá

Psicóloga pela Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ). Mestranda em Educação e Tecnologia-Universidade Federal de Itajubá (Unifei). Itajubá, Minas Gerais, Brasil. Rua Dona Joaquina Dias, 211, Apto 802, Itajubá, Minas Gerais, CEP: 37504-048. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-8889-5808.E-maild2025103306@unifei.edu.br

Cláudia Eliane da Matta, Universidade Federal de Itajubá

Professora na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI). Docente na graduação em Engenharia Elétrica e no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências. Doutora em Engenharia de Produção (Unifei), mestre em Engenharia Eletrônica e Computação (ITA) e especialista em Design Instrucional (Senac). Bacharel em Ciências da Computação. É integrante dos grupos de pesquisa "Group of Renewable and Efficient Energy Networks and Sustainability" - GREENS e "Tecnologias e Cultura Digital na Educação em Ciências" - TecDEC. 

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Publicado

05-04-2026

Como Citar

BATISTA GOMES COELHO, Juliana Cândida; PAMPLONA, Luciany; DA MATTA, Cláudia Eliane. Desafios e aprendizagens na mediação com chatbot ao inserir inteligência artificial na aula de Matemática. Boletim GEPEM, [S. l.], n. 87, p. 54–78, 2026. DOI: 10.69906/GEPEM.2176-2988.2025.1277. Disponível em: https://periodicos.ufrrj.br/index.php/gepem/article/view/1277. Acesso em: 11 abr. 2026.

Edição

Seção

Artigos