ESCOLA SEM PARTIDO

censura sobre educação antirracista e religiões de matriz africana

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/2742041.10.14-4

Palavras-chave:

Religiões de Matriz Africana, Escola Sem Partido, Livro Didático, Prática Docente, Educação Pública

Resumo

Este artigo traz um recorte da pesquisa Raça e Classe na Perspectiva do Movimento Escola Sem Partido (Es?P) e seus Efeitos nas Práticas de Docentes em Escolas Públicas Brasileiras (2023) de doutoramento de Clarice Martins de Souza Batista.  Pesquisa qualitativa e exploratória que investiga a perspectiva conservadora do Movimento Escola Sem Partido (ES?P) e seus efeitos nas práticas de professores/as que abordam temas de raça e classe social. Ancorada nos estudos culturais e em autores como Penna (2017), Frigotto (2017) e Kilomba (2010), a análise, baseada em levantamento documental, redes sociais e entrevistas, empregou a Análise Crítica de Narrativas e Atribuição de Sentidos (ACNAS) em diálogo com a análise de discurso de Van Dijk (2015). Argumenta-se que o ES?P defende uma sociedade excludente, utilizando mensagens inspiradas em propagandas fascistas do século XX para estimular o ódio, a perseguição e a desigualdade, especialmente contra professores/as comprometidos/as com a equidade. Os resultados demonstram que o ES?P representa uma ameaça à Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER), preconizada pelas Leis 10.639/03 e 11.645/08. O movimento criminaliza e interfere em práticas pedagógicas que buscam romper hierarquias de raça e classe, com foco também sobre os conteúdos que abordem religiões de matriz africana,  evidenciando seu caráter racista e fascista. Tais práticas se inserem no contexto de pós-democracia, articulando-se com processos de dessimbolização que podem induzir à barbárie social, causando sofrimento aos profissionais da educação. O ES?P representa um grave obstáculo para o avanço de uma educação inclusiva e emancipatória no Brasil.

Biografia do Autor

Clarice Martins de Souza Batista, Pesquisadora na linha de Educação e Relações Étnico-Raciais, membro do grupo de estudos ErêYá que compõe o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros NEABUFPR

Doutorado em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mestrado em Educação Matemática pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Especialista em Gestão Educacional. Licenciada em Pedagogia pela UFMS. Pedagoga da Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Professora da Rede Municipal de Curitiba- Paraná. Pesquisadora na linha de Educação e Relações Étnico-Raciais, membro do grupo de estudos ErêYá que compõe o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros NEABUFPR. Lattes:  https://lattes.cnpq.br/8297546771943363. https://orcid.org/0000-0002-9765-6430

Lucimar Rosa Dias, Universidade Federal do Paraná

Doutorado em Educação pela Faculdade de Educação da USP (2007). Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (1997). Graduada em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (1989). Atualmente é professora associada da Universidade Federal do Paraná. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Diversidade étnico-racial, atuando principalmente nos seguintes temas: educação infantil, relações raciais, formação de professores, educação básica e políticas públicas. Coordenadora do grupo de estudos ErêYá que compõe o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros NEAB/UFPR, da linha de Educação e Relações Étnico-Raciais. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3476684741346049. https://orcid.org/0000-0003-1334-5692

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Publicado

2026-03-19